terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Lembranças, passado...


Tédio é um porre, é uma arma na mão dos ansiosos. Mexe daqui, mexe de lá. Ouço música, mudo as coisas de lugar e ainda sobra tempo. O que fazer? Pra onde fugir? Hora de dar uma geral no quarto. Arrumo a cama, as roupas, as gavetas e de tanto procurar o que não perdi, encontro o que não devia. Um passado enterrado há tempos. Enterrado, apagado e esquecido de volta ao presente. Sabe, não sei dizer o que fui numa outra vida, se é que existe, mas tem algo que posso afirmar com toda certeza, herdei características extremamente egoístas a ponto de não abrir mão de nada. Qualquer coisa em minha mão vira motivo para virar recordação. Papel, bilhete, flor, data, telefone, cartas, anotações e qualquer coisa do tipo.

Encontrei uma caixinha onde está grande parte do meu passado. Ao abri pude sentir o cheiro de nostalgia. Um passado de felicidade e tristeza, chegadas e despedidas, amigos e amores. E é onde minha mente começa a procurar respostas para o que, de fato, nunca foi uma pergunta. Me recordo dos meus amigos que mudaram de cidade, das pessoas que cruzaram minha vida por pouco tempo mas que deixaram marcas tão profundas, quase impossíveis de serem apagadas. Lembrei dos meus ex. De tudo. Estava, literalmente, assistindo a um filme da minha vida sem nem ao menos ter saído do meu quarto. "E se eu tivesse dado uma segunda chance? Se tivesse sido mais flexível? Se tivesse atendido a ligação? E se...?"

Perguntas perturbadoras tentando e conseguindo me tirar a paz. Olho no relógio, releio as cartas e vasculho a mente.  Abandonei pessoas sem pensar duas vezes. Machuquei aqueles que queriam o meu bem e me machuquei. Fiz o que julgava certo sem pensar nas consequências. Me afastei daqueles que só queriam minha presença. E agora, nesse momento, tudo parece tão errado, tudo o que parecia irrelevante e certo, se tornou absurdamente perturbador. A saudade e o medo de ter tomado a decisão errada faz com que tudo pareça certo, que tudo seja aceitável.

A nossa mente tem o péssimo hábito de nos mostrar o passado melhor do que ele realmente foi. E é isso que faz a nossa mente relembrar todas as coisas, todo um passado que muita das vezes queremos esquecer, e quando isso acontece queremos notícias, ligações, msgs de pessoas e quando bate a vontade de saber das pessoas que mandei embora da minha vida, é um alerta de que elas estão seguindo em frente. Sexto sentido, intuição. Chame do que quiser, mas meu corpo sempre avisa quando estou perdendo algo para sempre. Então quero uma reaproximação, uma conversa, uma notícia, qualquer coisa que me tire o desgosto trazido com a onda do passado. E é quando bate o desespero. Não há o que fazer. O quarto bagunçado e um único pensamento na cabeça: Quando me bater o tédio novamente, vou me lembrar de simplesmente assistir um filme, ou qualquer outra coisa...

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